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Mais jovens, mais perigosos

Um projeto de lei planeja reduzir a idade mínima para obter a primeira carteira de habilitação no Brasil. Caso aprovado, jovens a partir dos 16 anos poderiam legalmente conduzir veículos automotores, sejam eles carros ou motos, de qualquer potência, em qualquer horário.

Será que o jovem brasileiro está pronto para isso?

Estudos feitos pelo Insurance Institute for Highway Safety (Instituto de Seguros de Segurança Rodoviária) mostram que, para os adolescentes dos Estados Unidos, a reposta para essa pergunta é simples: não.

O instituto revelou dados assustadores em relação a índices de colisões envolvendo os mais jovens. A possibilidade de que acidentes fatais aconteçam com aqueles entre 16 e 17 anos é cerca de 3 vezes maior do que para os motoristas com 20 anos ou mais.

Nos EUA, o processo para obtenção de uma carteira de motorista difere muito do sistema brasileiro. Eles possuem um método gradual e rigoroso para conseguir a permissão, que irá demandar:

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Autorização dos pais;

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Múltiplas provas de conhecimento prático e teórico;

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Supervisão constante de uma pessoa maior que 25 anos devidamente habilitada sentada no assento do passageiro durante toda a viagem;

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Adesivos colados na traseira do veículo a fim de que outros motoristas vejam que o condutor do automóvel está aprendendo a dirigir ou possui pouca experiência;

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Número máximo de passageiros;

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Horários pré-estabelecidos para dirigir.

Mesmo com medidas tão austeras, ainda assim os números não estão do lado dos jovens.

Alguns dos fatores que causam diferença tão grande entre as faixas etária são:

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Falhas do condutor

Comparados aos acidentes fatais dos adultos, os dos jovens envolvem com mais frequência erros do motorista.

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Excesso de velocidade

É um fator envolvido em mais de 25% dos acidentes com jovens.

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Presença de passageiros

Mais de 50% das mortes de passageiros adolescentes ocorrem em colisões com um jovem ao volante.

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Dirigir à noite

Por quilômetro viajado, o índice de acidentes fatais envolvendo jovens entre 16 e 19 anos é 4 vezes maior do que durante o dia.

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Consumo de álcool

Em 2017, 23% dos motoristas de 16 a 19 anos mortos em batidas possuíam álcool no sangue.

De acordo com um relatório divulgado pela Seguradora Líder, administradora do seguro DPVAT, em 10 anos, o trânsito brasileiro matou mais do que a Guerra da Síria – tivemos mais de 485 mil indenizados por mortes no trânsito no Brasil, enquanto o conflito no oriente médio ceifou a vida de aproximadamente 360 mil pessoas desde seu início em 2011. Dados de 2016 da Organização Mundial da Saúde (OMS) estimam que, nos EUA, 12,4 pessoas a cada 100 mil sejam mortas no trânsito, enquanto no Brasil esse número chega a 19,7, ou seja, cerca de 60% maior. Não estamos prontos para a inserção dos mais jovens nestas estatísticas de acidentes, principalmente sem antes ter aprovado a Inspeção Veicular obrigatória a nível federal.

Jonas Neri Bright Consulting

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