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Como monetizar a conectividade nos automóveis

Ao perguntar a qualquer executivo da indústria automotiva quais são as grandes tendências para os próximos anos, certamente os carros conectados estarão entre elas. Para este artigo, entende-se por automóveis conectados aqueles veículos integrados à internet sem a necessidade de um telefone celular como host. Até agora, as necessidades de interação – localização, informação e entretenimento – não exigiam grandes velocidades de comunicação e estiveram ancoradas nos smartphones.

A partir do momento em que um chip de comunicação é instalado num veículo, um amplo conjunto de oportunidades se desdobra. Se dotadas da velocidade adequada, permitiriam uma interação com outros veículos para prevenir acidentes ou facilitariam a circulação de automóveis sem motorista pelas nossas ruas. Estas funções garantem que o veículo conectado fará parte do nosso futuro.

Porém, o que acontece antes desse futuro? Para os veículos em produção, a instalação tem seu custo para o fabricante e o plano de serviços também implica em despesas. É natural que a montadora anuncie seu veículo conectado como diferencial de produto e ofereça ao cliente algum período (Um mês? Três meses?) de degustação. Isso pode ser negociado em um bom pacote entre a montadora e a empresa de telefonia.

Depois desse período grátis, alguém deverá pagar pelos serviços. Pelo lado da montadora, estudam-se quais informações poderiam gerar receita adicional ou redução de despesas de garantia – uma equação difícil que não fecha do lado positivo. Pelo lado do cliente, as vantagens atuais são limitadas, muitas delas já disponíveis no smartphone: serviços de concierge, localização, comunicação e entretenimento. Um sistema permanentemente ligado ao automóvel traria benefícios para usuários múltiplos, dentro de uma família, para uma locadora ou até para um veículo compartilhado. A equação começa a se equilibrar.

Uma terceira via seriam as prestadoras de serviço, como uma seguradora ou operadora de pedágios, que poderiam aglutinar benefícios de operação – licenciamento, estacionamento, pedágio, seguro, guincho, carro reserva, pronto atendimento, chaveiro, entre outros – distribuindo o custo de operação do chip telefônico entre estas outras despesas. Cada veículo teria uma carteira de serviços que os integradores disputariam em troca do deságio na venda dos serviços. Teriam o benefício de amarrar o cliente dentro do seu pacote, minimizando seus custos com o rastreador e amortizando o benefício ao cliente dentro de várias vendas paralelas. A empresa que operar este pacote de benefícios terá o caminho pavimentado para frotas compartilhadas e outras iniciativas da mobilidade. Que tal um regime fiscal específico?

Cássio Pagliarini
Bright Consulting

A CONECTIVIDADE E A EXPERIÊNCIA DO USUÁRIO (UX)

Qualquer inovação que proporcione uma melhor experiência ao usuário também provocará efeitos em outros setores da economia. Se os automóveis se tornarem mais “inteligentes”, permitirão aos usuários realizar comandos a distância, como bloquear o funcionamento do motor (em caso de roubo) e localização instantânea. Isso levará a uma redução de custos com seguros.

Imaginem a redução no consumo de energia (elétrica, solar ou combustível) se houver uma conexão entre o automóvel e uma vaga disponível em um estacionamento. O motorista não vai precisar ficar horas rodando até encontrar alguma luz verde no teto.

Não podemos deixar de cogitar: e se o automóvel puder identificar que o condutor está à beira de um ataque cardíaco por meio de sensores no cinto de segurança (ou por conexão com wearable devices como o Apple watch, por exemplo) e iniciar um processo de paralização do veículo, além de acionar o serviço de emergência? Será que essa não seria uma segurança pela qual o cliente estaria disposto a pagar?

Claudia Maierá
Especialista em Customer Experience | Autora do blog www.exmocliente.com

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