ARTIGOS
Do mouse à Inteligência Artificial
Os avanços tecnológicos para uma nova interação com as máquinas

Como era a interação com um computador antes da invenção do mouse? A entrada de dados e de passos de programação era definida por teclado e por atributos inseridos diretamente no hardware – quem viu o filme “O Jogo da Imitação”, retratando a vida de Allan Turing, se lembrará disso. As respostas do computador apareciam impressas em papel, em uma tela de TV ou na execução de ações, no caso do longa-metragem, uma sequência de códigos.

Os grandes avanços dos transdutores aconteceram com o mouse e com o software Microsoft Windows, que permitiram a simples mortais, sem conhecimento de computação, operar computadores pessoais. Os transdutores têm a função de converter o mundo dos homens em dados que o computador consiga interpretar e vice-versa. De lá para cá, os avanços aconteceram, mas ainda é preciso um toque na tela – nosso dedo substituiu o mouse – para a leitura dos dados ou respostas que o computador nos fornece. Existem gerações de humanos que já nasceram operando esses transdutores, porém essas pessoas fazem melhor e mais rápido, mas não diferente. Ainda não existe uma conexão direta dos nossos desejos para o computador sem que toquemos a tela, usemos o mouse ou ditemos um comando.

A interação com as telas nos automóveis

Quando levamos o computador para o automóvel, na forma de sistemas multimídia, percebemos o quanto essa tecnologia bloqueia o desenvolvimento. É complicado olhar para a tela, tocá-la e ler os resultados, sem correr riscos de um acidente. As ferramentas por comando de voz são limitadas – quem já recebeu mensagens de whatsapp por voz percebe que a solução não atende nossas necessidades. Outras soluções como interação por gestos também existem e os problemas de reconhecimento se repetem, pois nem todas as pessoas se exprimem da mesma forma.

Segundo um interessante artigo da Fjord Trends, publicação da Accenture, isso acontece porque os nossos sistemas de computação – smartphones, tablets e computadores propriamente ditos – agrupam todas as interfaces e colocam no usuário o cargo de lidar com elas. De acordo com esse estudo, os pesquisadores já buscam desagrupar os transdutores e permitir aos usuários uma operação mais intuitiva. Seria como se tivéssemos, ao nosso lado, um ser completamente obediente que operasse o sistema multimídia sem tirarmos a atenção do trânsito. Novamente buscando referência no cinema, o computador Hall do filme “2001, uma Odisseia no Espaço”, faz exatamente isso: ele percebe as necessidades humanas, como máquina pensante que é, e fornece sugestões e soluções. Sem telas, sem mouse.

O próximo passo é a reinvenção do mouse

A solução ainda está para ser inventada – este artigo deixa explícita essa necessidade – e vai usar Inteligência Artificial e uma modelação bastante sofisticada do ser humano. No caso do automóvel, o computador aprenderá as vontades, os comportamentos e as manias de seu “dono” e passará a sugerir ações. Por exemplo, se o dono do veículo sai toda manhã e liga determinado app de notícias ou música, o computador fará isso sem qualquer intervenção do motorista. A leitura facial permitirá ao computador do carro perceber se o motorista está alegre, apreensivo ou cansado, sugerindo rotinas apropriadas. Em menos de 3 anos, as soluções definitivas estarão entre nós e aparecerão nos automóveis, nas residências, nas roupas, nos transportes, nas lojas, nos restaurantes. Será como reinventar o mouse.

Cássio Pagliarini
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