ARTIGOS

Oportunidade ou Risco
As possibilidades para um veículo elétrico barato no Brasil

Os caminhos para um veículo elétrico no Brasil têm sido definidos a partir de experiências na Europa, China e EUA, com a grande maioria dos produtos vindos desses mercados.

Começam a surgir ofertas enquadradas na norma ABNT 13776 (junho de 2006), como Veículos Especiais, que devem ser urbanos, limitados a 60 km/h e com acesso proibido às estradas. Pela norma, eles devem portar os sistemas passivos de segurança – faróis, lanternas, para-choques, espelhos, cintos de segurança, buzina – atendendo à operação regular desses equipamentos, mas estão dispensados de realizar testes de impacto (crash tests), assim como atender a requisitos de proteção aos seus ocupantes. Em outras palavras, estes veículos não possuem airbags e não conseguem resistir a uma colisão com veículo convencional (ou caminhão) sem impor risco de danos pessoais aos seus ocupantes. Nessa categoria estão incluídos buggies, carrinhos de golfe, triciclos e quadriciclos, com ou sem portas.

É na categoria de Veículos Especiais que começam a ser fabricados ou importados triciclos ou quadriciclos elétricos como o RENAULT TWIZZY, ECO TECH 2/4 e o GAIA ELECTRIC. São veículos relativamente confortáveis, que protegem contra chuva e poeira, que são recarregáveis por meio de uma tomada 220V e que oferecem mínimo custo de operação e manutenção. Eles superam facilmente os limites de performance previstos na lei – o Renault Twizzy, por exemplo, alcança 80 km/h e o Gaia vai a inacreditáveis 130 km/h – e têm autonomia ampla o suficiente para a grande maioria dos candidatos à compra. E mais: com ZERO emissões!

Prós e contras

Assim como as motocicletas, estes veículos não possuem uma estrutura que absorva energia ou proteja seus ocupantes em caso de impacto. Se refletirmos que a frota de motocicletas tem ¼ do tamanho da frota de automóveis e responde por mais de 40% das mortes em trânsito, a utilização mais intensa desses “veículos especiais” pode turbinar essa triste estatística. Se um motociclista está mais atento à sua vulnerabilidade, até pelo fato de ter apenas duas rodas e depender do próprio equilíbrio, um motorista de veículo elétrico leve tem a mesma CNH necessária para um automóvel convencional e pode cometer erros que se tornem fatais, como uma colisão em esquina, por exemplo.

Por outro lado, esses veículos são um sopro de inovação, mobilidade e eficiência tão necessárias nos dias atuais. Então, como planejar o seu uso sem aumentar o risco para seus ocupantes? Ou como impedir o abuso de seus usuários que resolvam dar uma “esticadinha” nas marginais de São Paulo ou no anel metropolitano do Rio de Janeiro?

A solução é a educação

A principal solução é a educação tanto dos usuários dos veículos especiais quanto dos que pilotam os veículos convencionais e motocicletas. É preciso evitar que os usuários desses novos veículos não façam como os motociclistas que, por conta da falta de monitoramento, educação e repressão passaram a usar o espaço entre as fileiras de carros como sua via exclusiva. Como uma grande tendência da mobilidade do futuro, seria útil uma discussão imediata pela sociedade sobre a legislação a ser imposta a estes novos participantes do trânsito. Para quê velocidades superiores ao limite de lei? Seria necessária alguma identificação externa? Seria preciso fazer mudanças nas leis de trânsito? Queremos novas oportunidades de mobilidade e não novas formas de risco.

 

Por Cassio Pagliarini e Ricardo Munerato

 

 

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