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Preços dos automóveis de passeio no Brasil continuarão subindo acima da inflação nos próximos 4 anos

O ticket médio de venda dos veículos de passeio irá crescer de R$ 75,0 mil, em 2018, para R$ 85,8 mil, em 2022. Este aumento de preços estará relacionado principalmente a 3 fatores: aumento no mix de SUV’s, aumento do conteúdo requisitado pelo novo consumidor Centennial e adição de tecnologia exigida pelas legislações de Segurança, Eficiência Energética e Emissões nos próximos anos.

Estas conclusões estão presentes no estudo Automotive Brazil 2030, parceria da Bright Consulting com a Neocom Inteligência Aplicada sobre o futuro do mercado de veículos no Brasil, que acaba de ser publicado. Diferentemente do que aconteceu no período de 2007 a 2012, quando o ticket médio caiu 25% em termos reais devido ao crescimento da escala de produção e maior venda de veículos de entrada, nos próximos 4 anos, o preço evoluirá 14,4%.

Mix de SUV’s

O crescimento da venda de SUV’s é um dos fatores que explica esta tendência uma vez que a participação do segmento passará de 20,2%, em 2018, para 28,2 %, em 2022. Este segmento, demandado por um consumidor de maior renda, é um dos que mais agrega conteúdo tecnológico.

Novo Consumidor

Os novos consumidores da Geração Z, os Centennial’s, se posicionam de maneira singular: parte deles não deseja mais possuir um automóvel, preferindo optar pelos serviços de mobilidade. Quando vão às compras, querem todo o conteúdo possível nos veículos adquiridos, principalmente no que se refere à conectividade.

Regulação

A regulação do mercado de automóveis busca a evolução dos veículos, principalmente para Segurança, Eficiência Energética e Emissões, atuando para reduzir a emissão de gases de efeito estufa e nocivos à saúde. Essa evolução dos veículos vem acompanhada de um custo pela adição de tecnologia para que os mesmos satisfaçam a regulação. Sofrem mais os veículos de entrada, nos quais a tecnologia adicional força a um maior reposicionamento de preço.

O mercado brasileiro passou por remodelações semelhantes quando aderiu às injeções eletrônicas de combustível na década de 90, ou com a introdução mandatória de ABS e airbags em 2013. Os veículos de entrada foram aqueles com maior impacto no preço.

O monitoramento de tecnologia da Bright Consulting prevê que a adição média de componentes tecnológicos nos próximos 3 anos impacte o custo variável dos veículos em US$580, um valor alto, difícil de ser absorvido pelas montadoras, sendo repassado ao consumidor final.

No mesmo período, o estudo Automotive Brazil 2030 prevê que as vendas de veículos leves no Brasil evoluirão de 2,75 milhões, em 2019, para 3,33 milhões, em 2022, embaladas por compras postergadas durante a recente crise econômica, pelo aumento dos gastos das famílias e por melhora gradativa do índice de confiança do consumidor.

O principal impacto do aumento dos preços nos veículos será a diminuição do número de compradores potenciais: no auge do mercado em 2012, eram necessárias 3,4 famílias de renda igual ou superior a 5 mil reais para a aquisição de um veículo no Brasil, número que passará em 2022 para 4,2 famílias. Em outras palavras, precisaremos de 20% mais famílias para atingir o mesmo potencial de vendas. Uma nova realidade a se ajustar.

Por Murilo Briganti

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