ARTIGOS

A associação entre Renault e FCA

A informação de que FCA e Renault poderiam se associar movimentou o ambiente entre os executivos do setor. São empresas fortes por aqui e o novo conglomerado passaria a liderar o ranking brasileiro.

Uma associação, fusão, aliança ou joint venture implica no exercício de grande flexibilidade para negociar e aceitar as direções provenientes da outra empresa. Tanto FCA quanto Renault são experts nesse atributo, tendo participado recentemente de uma fusão Fiat Chrysler, no caso da FCA, e da aliança com Nissan e Mitsubishi, no caso da Renault. Além disso, são empresas com ampla base conceitual na Europa e com maneiras de pensar e operar menos conflitantes se comparadas à união com uma empresa norte-americana ou asiática.

Qualquer associação traz economias de escala que dependem de quão complementares estas empresas podem trabalhar. Em outras palavras, se trabalham nos mesmos segmentos, podem racionalizar motores, plataformas e componentes. Por outro lado, isso aumenta os riscos de canibalização. Se trabalham em segmentos distintos, as vendas ficam mais preservadas, mas as economias de escala diminuem. A distribuição física das vendas também representa um fator importante: com um footprint diferente de cada marca nos mercados, a associação pode maximizar o potencial de vendas. Outro aspecto é o portfólio de aplicações, por exemplo em projetos de eletrificação.

Quão complementares são as atividades de Renault e FCA?

Se a francesa Renault der sinal verde para a proposta da FCA, as empresas podem, em um curto espaço de tempo, ter economias de escala pela consolidação de componentes e sistemas básicos de vários dos seus mais populares veículos, comentou Sam Fiorani, VP da AutoForecast Solutions à Reuters.

Essa união é uma oportunidade para ambas as empresas superarem os robustos investimentos a serem feitos para atingir a nova demanda tecnológica atendendo consumidores e legislação. Tanto a Renault, quanto a FCA são fortes na Europa e na América do Sul em carros pequenos. A Renault é forte na Rússia e a Jeep tem presença consistente no mundo todo. Ambas trabalham bem as vans de passageiros e carga, enquanto que a Dodge também tem picapes grandes.

Construir modelos similares em uma mesma plataforma gera maior flexibilidade para balancear a produção e, até mesmo, trocar países de produção a fim de se obter maior rentabilidade. A plataforma CMF (Common Module Famíly) da Renault Nissan poderia servir de base para veículos como Renegade, Compass, Grand Compass… Ela foi introduzida inicialmente em 2013 e reduz o custo de desenvolvimento em 40% e custo de peças em até 30%. É aplicável a quase todos os tamanhos de veículos desde minis (A) até compactos e Midsizes (C/D). Hoje, a Renault&Nissan espera produzir 9 milhões de veículos nessa plataforma! Com a FCA incluída, esse número poderia alcançar facilmente 15% do mercado global em 2020. Essa união de plataformas pode gerar uma economia muito grande!

Além disso, a FCA tem a oportunidade de se beneficiar da expertise desenvolvida pela Renault em powertrain e veículos elétricos – Renault e Nissan já investiram mais de 5 bilhões de dólares nos últimos anos e FCA tem pouca evolução nesse tema. A Renault lidera com 1/3 dos veículos elétricos na Europa e ganha, por outro lado, a oportunidade de participar de um grande mercado como os EUA, onde não conseguiria entrar facilmente.

Continua a aliança da Renault com Mitsubishi e Nissan?

A Nissan tem presença marcante no Japão, na China e no mercado norte-americano, assim como em veículos híbridos. Dessa resposta podem derivar ainda mais alternativas de produtos e mercados. Muito interessante que tudo isto aconteça sem a ação de Carlos Ghosn, executivo que conduziu a aliança Renault Nissan com mão de ferro nos últimos anos, mas com certeza é fruto de ações específicas nos últimos anos de Sergio Marchione, ex-capo da Fiat.

 

Por Bright Consulting

Office: + 55 19 3397.0175

contato@brightisd.com

Condomínio Centre Ville I
Rua Place Des Vosges, 88, BL. 2,
UN 114, CEP 13105-825
Campinas - SP, Brazil