De repente, o mercado automotivo brasileiro se viu inundado por uma enxurrada de novas marcas chinesas. Fala-se que na China são mais de cem, algumas com nomes impronunciáveis — e uma multidão de SUVs elétricos, muito parecidos entre si. Na prática, o cenário é menos caótico do que parece.
A primeira distinção essencial está na origem das empresas. Há os grupos estatais, a maioria criados por governos provinciais e outros poucos pelo governo central. E cada marca raiz, controla diversas marcas atuando em segmentos diferentes: uma para SUV, outra para picapes, outra para sedans, por exemplo. É menos comum ter uma marca-mãe com produtos como filhotes diretos dessa marca. Outra distinção é um grande grupo formado pelas empresas privadas e de capital aberto, muitas listadas nas bolsas de Xangai, Hong Kong e até Nova York.
No total, os 16 principais grupos automotivos chineses somam cerca de 65 marcas, que compartilham tecnologia, componentes e infraestrutura — atuando de forma complementar, e não concorrente.
Enquanto as estatais priorizaram geração de empregos e transferência de tecnologia via joint ventures, as privadas investiram pesado em P&D e eletrificação, tornando a China líder global em veículos de novas energias — um salto que pegou o Ocidente de surpresa no pós-pandemia.
Esses grupos podem ser divididos em quatro blocos:
- Gigantes nacionais — os maiores conglomerados, líderes em produção, exportação e eletrificação. Algumas dessas empresas compraram participação em marcas ocidentais e que deverão se consolidar em 5 a 7 grandes grupos, reunindo estatais, privadas e mistas. Nesta categoria se encaixa, por exemplo, a BYD.
- Empresas médias — grupos ainda relevantes, majoritariamente estatais provinciais, sustentados pelos mercados internos de suas regiões. A tendência é de fusões e compartilhamento de plataformas para reduzir a concorrência e regular preços. Encaixa-se perfeitamente nesta classificação a GAC.
- Startups tecnológicas — empresas privadas de alta inovação, focadas em software e eletrificação. São empresas com tecnologia tão avançada que estão atraindo a atenção de empresas ocidentais que usam essa inovação para o desenvolvimento de suas próprias plataformas de carros eletrificados a serem oferecidas no mercado chinês ou no resto do mundo. A XPENG é uma representante deste grupo.
- Empresas pequenas e periféricas — estatais menores e empresas privadas que não ganharam escala. São as que mais tendem a desaparecer, alimentando a falsa percepção de colapso do “castelo chinês”. No entanto, atuam em nichos locais e têm pouca relevância internacional
A indústria automotiva chinesa é extremamente diversificada — um ecossistema de conglomerados, startups e estatais provinciais que competem e cooperam entre si. A única coisa igual entre os chineses é a velocidade com que se reinventam.
Quer conhecer melhor sobre as marcas chinesas, seus posicionamentos de mercado e quem continuará por aqui num horizonte de 5 e 10 anos?
Oswaldo Ramos
Autor convidado pela Bright Consulting
Bright Consulting e Oswaldo Ramos unindo forças e expertise neste projeto
A Bright Consulting é uma consultoria automotiva especializada com sede em Campinas (SP), criada em 2014, e tem como missão oferecer um portfólio de serviços de inteligência competitiva orientado para minimizar os riscos relacionados ao processo decisório de seus clientes. Conta com especialistas reconhecidos nos mercados nacional e internacional, que avaliam as grandes transformações do mercado e da indústria, os impactos da evolução tecnológica nos veículos e contribuem na elaboração de projeções mais assertivas de sustentação às decisões das empresas.