O novo movimento do governo brasileiro para regulamentar projetos de captura, armazenamento e utilização de carbono (CCS/CCUS – na sigla em inglês) abre uma agenda relevante para a indústria fóssil e para a política climática do país. Pela visão da Domani, é uma tecnologia que pode ter papel “complementar”, mas não pode virar desculpa para prolongar a queima de petróleo, gás e carvão.
Sustentabilidade, ESG e GHG
- Em sustentabilidade, CCS precisa estar inserida em um plano de transição que reduza a dependência de combustíveis fósseis, com metas claras de redução absoluta de emissões.
- Em ESG, investidores vão cobrar transparência: taxas reais de captura, riscos de vazamento, impactos sociais e governança forte sobre ativos e passivos de longo prazo.
- Em GHG (greenhouse gas), é essencial alinhamento ao GHG Protocol: medir corretamente o CO₂ capturado, evitar dupla contagem e deixar claro que captura pontual não equivale a neutralizar toda a cadeia de valor.
Créditos de carbono e a Lei 15.042
- Qualquer tentativa de transformar CCS em créditos de carbono deve seguir critérios rigorosos de adicionalidade, permanência e integridade ambiental.
- A Lei 15.042 pode e deve ser usada para garantir transparência de dados, registro público dos projetos e compatibilidade com as metas brasileiras sob o Acordo de Paris.
- O foco precisa ser integridade de mercado, evitando créditos de baixa qualidade que apenas “maquiam” emissões contínuas da indústria fóssil.
Economia verde e posição da Domani
A economia verde brasileira só ganha com CCS se a tecnologia ajudar a acelerar, e não a adiar, a transição energética. Isso significa priorizar investimentos em renováveis, eficiência energética, soluções baseadas na natureza e inovação de baixo carbono; CCS entra como solução para emissões realmente difíceis de eliminar, não como motor de novos projetos fósseis.
A posição da Domani é clara:
- CCS é uma ferramenta específica, não uma estratégia climática por si só.
- Reguladores e empresas devem tratá-la com rigor técnico, transparência e alinhamento às metas de 1,5 °C.
- O sucesso do Brasil na economia de baixo carbono dependerá mais da coragem de transformar seu modelo produtivo do que de tecnologias que permitam continuar emitindo “um pouco mais” por mais tempo.
Fabiano SantAna
CEO | Domani Global, empresa associada à Bright Consulting
A Bright Consulting é uma consultoria automotiva especializada com sede em Campinas (SP), criada em 2014, e tem como missão oferecer um portfólio de serviços de inteligência competitiva orientado para minimizar os riscos relacionados ao processo decisório de seus clientes. Conta com especialistas reconhecidos nos mercados nacional e internacional, que avaliam as grandes transformações do mercado e da indústria, os impactos da evolução tecnológica nos veículos e contribuem na elaboração de projeções mais assertivas de sustentação às decisões das empresas.