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Particulados: Inimigos Invisíveis

A humanidade possui inimigos invisíveis a serem combatidos. Eles estão nos escritórios, creches, hospitais, ruas e avenidas ao redor do mundo. Afetam qualquer um que cruze seu caminho, sem se importar com classe social, idade ou escolaridade. Mesmo não podendo vê-los, os particulados estão no ar que respiramos agora mesmo.

O que são eles, afinal? Poeiras, fumaças e qualquer material sólido e líquido que se mantém suspenso na atmosfera devido suas dimensões diminutas. Geralmente, são divididos em dois grupos: MP10 (partículas cujos diâmetros são menores ou iguais a 10 µm) e MP2,5 (partículas cujos diâmetros são menores ou iguais a 2,5µm).

Os particulados do grupo MP10 são geralmente filtrados no nariz e na garganta por intermédio dos cílios e muco lá presentes. Todavia, alguns deles ainda podem ser capazes de penetrar nos pulmões alcançando os brônquios e alvéolos. O perigo maior está no grupo MP2,5 uma vez que estas partículas possuem diâmetro cerca de 30 vezes menor do que um fio de cabelo humano, elevando exponencialmente as chances de penetrar mais ainda no corpo humano, podendo, inclusive, alcançar a corrente sanguínea, causando broncoconstrição em pessoas asmáticas, inflamações, problemas cardíacos e até mesmo câncer. No caso dos particulados, quanto menor a partícula, maior o problema.

Os veículos e as emissões de particulados

Há muito tempo os veículos já eram considerados os maiores responsáveis pela poluição do ar em centros urbanos. Com a criação do PROCONVE em 1986, o Brasil deu um passo vital para estabelecer limites (estruturados em fases) à quantidade de particulados que um veículo pode emitir. Atualmente, os veículos leves se encontram na 6º fase do programa e os pesados na 7º. Os veículos pesados estão em uma fase equivalente ao Euro V, que é significativamente mais atrasado em comparação à legislação vigente nos países europeus, onde limites de emissão mais restringentes (Euro VI) já estão em vigor desde 2014. Apesar dos resultados positivos desde a implementação das normativas do PROCONVE, o grande número de veículos mais antigos na frota brasileira impõe obstáculos significativos ao programa.

Um estudo realizado por pesquisadores da UNIFESP sobre particulados dos grupos MP10 e MP2,5 oriundos dos gases do escapamento dos veículos teve resultados espantosos. Após analisar dados sobre emissões entre os anos de 2014 e 2015 na região metropolitana de São Paulo (uma das mais populosas do mundo, com cerca de 20,8 milhões de habitantes), eles observaram que, em 2015, as concentrações de MP10 e MP2,5 estavam, respectivamente, 50% e 85% acima do estipulado pela Organização Mundial da Saúde (OMS) e que cerca de 70% dos veículos que circulam na região possuem 10 anos ou mais. Falando em quantidade, os resultados apontam que, em 2014 e 2015, os veículos emitiram 1.917,6 toneladas de MP10 e 1.969,3 toneladas de MP2,5.   

Os veículos em desacordo com as fases atuais do PROCONVE foram responsáveis por mais de 95% das emissões, sendo essas, 85% oriundas de veículos pesados (apesar de comporem cerca de somente 3% da frota). A substituição desses veículos que violam a normativa do PROCONVE diminuiria as emissões oriundas de veículos leves em 51% e em 90% nos veículos pesados.

A origem do problema das emissões nesse caso fica bem clara. Como podemos resolvê-lo?

Não existe uma solução simples para esse problema, todavia, medidas como inspeção veicular focadas no controle de emissões, assim como programas de aposentadoria voluntária dos veículos (Voluntary Accelerated Vehicle Retirement – VAVR; Feito no estado da Califórnia desde os anos 90) mostram-se como boas alternativas a serem seguidas.

Quanto mais se espera para agir, menor serão as chances de mudar o status quo e garantir um futuro melhor para as próximas gerações.

Jonas Neri
Bright Consulting

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