O Brasil levou cerca de cinco anos para somar os primeiros (2018 – 2023) 100 mil veículos eletrificados emplacados. Desde então, o volume anual se multiplicou por mais de oito vezes. Só neste ano (janeiro a agosto) foram 325,9 mil — mais do que todo o volume de 2018 a 2023 somado (185 mil).
A composição mudou rapidamente. Em 2018, o híbrido pleno respondia por 86% dos eletrificados emplacados. Hoje, a maior parte do volume acumulado está em tecnologias plugáveis. Na tabela elaborada pela Bright Consulting, a distribuição é a seguinte:
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Tecnologia |
Acumulado 2012–2026 |
2026 Até Agosto |
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Híbrido plug-in (PHEV) |
37,8% |
34,5% |
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Elétrico a bateria (BEV) |
35,9% |
43,8% |
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Híbrido pleno (HEV) |
25,8% |
20,6% |
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Elétrico de autonomia estendida (REEV) |
0,5% |
1,1% |
Somados, elétricos, plug-ins e REEV representam 74,2% do acumulado e 79,4% das vendas de 2026. O elétrico a bateria passou a liderar o fluxo anual, embora o plug-in ainda lidere o estoque. Há também uma rota brasileira dentro do número: 14,6% dos eletrificados são híbridos flex, capazes de rodar com etanol.
A origem das marcas também se deslocou. As fabricantes chinesas somam cerca de dois terços do acumulado e 85% dos eletrificados emplacados em 2026. Sozinha, a BYD responde por 40,3% do volume desde 2018 e por 44,8% das vendas deste ano.
No território, o eletrificado continua sendo um fenômeno concentrado. São Paulo responde por 30,3% do acumulado. As 27 capitais somam 52,3%, e apenas 19 municípios concentram metade de todos os emplacamentos. A participação das capitais caiu pouco ao longo do tempo: era de 56% em 2018 e ficou em 50,3% em 2026.
A capilaridade, por outro lado, avançou. Em 2018, os eletrificados foram emplacados em 558 municípios. Em 2026, até setembro, já foram 3.798. No acumulado, 4.518 dos 5.570 municípios brasileiros têm ao menos um eletrificado. Mas só 539 passam de 100 unidades, e 123 passam de mil. O eletrificado chegou a quase todo o país, mas ainda é raro na maior parte dele.
Cabe uma ressalva sobre a leitura municipal. O município de emplacamento nem sempre é o de uso: frotistas e locadoras registram veículos onde têm sede, o que pode elevar a participação de cidades como Brasília.
O cruzamento entre tecnologia e território contraria uma hipótese comum: a de que o elétrico a bateria seria um produto das capitais e do Sudeste. Nos dados da Bright, ocorre o contrário. O Sudeste, maior mercado, é a região com a menor participação de elétricos no seu mix.
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Região |
Participação no total de eletrificados |
BEV no mix regional (acumulado) |
BEV no mix regional (2026) |
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Norte |
4,0% |
48,3% |
61,4% |
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Nordeste |
16,8% |
47,4% |
57,2% |
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Sul |
18,3% |
40,3% |
48,3% |
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Centro-Oeste |
14,3% |
35,6% |
43,6% |
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Sudeste |
46,6% |
29,2% |
34,1% |
No Amazonas e no Rio Grande do Norte, cerca de seis em cada dez eletrificados emplacados são elétricos a bateria. Em São Paulo, a proporção é de 26,6%; em Minas Gerais, de 33,4%. O Sudeste concentra, em contrapartida, os híbridos plenos, que somam 29,9% do seu mix. Entre capitais e interior, a diferença é pequena, mas vai na mesma direção: em 2026, os elétricos foram 44,8% dos eletrificados no interior e 42,7% nas capitais.
O primeiro milhão foi construído, em boa parte, com veículos importados e com um ambiente tributário favorável. O segundo dependerá de outras condições. O imposto de importação sobre eletrificados chegou a 35% em julho de 2026. As regras do IPI Verde valem até 31 de dezembro, e as alíquotas do Imposto Seletivo para 2027 ainda não foram definidas. A produção local e a expansão da infraestrutura de recarga para além das capitais passam a pesar mais.
O marco confirma que a eletrificação deixou de ser nicho no Brasil. Resta saber se o próximo ciclo manterá o ritmo, qual tecnologia vai prevalecer e se o avanço fora do Sudeste, hoje liderado pelo elétrico a bateria, se confirma como tendência.







